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Mensagem do Presidente
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Mensagem do Presidente

Serenidade contra a turbulência

Redução dos investimentos, reestruturação de ativos, queda nas vendas, acúmulo de estoques. Esse poderia ser o cenário pessimista utilizado para a análise do ano de 2009 se observássemos a atuação da Anglo American Brasil meramente pelo prisma da crise econômica. Na realidade, a empresa deixa o ano que passou mais forte do que entrou, pois conseguiu superar os desafios de forma positiva.

Além disso, nossa visão de longo prazo contribuiu decisivamente para que enfrentássemos a turbulência da economia mundial com maior serenidade. É assim que a Anglo American planeja e opera seus negócios. Esta também é uma característica própria do setor de mineração e de nossa empresa em particular, o que nos permite ter mais flexibilidade para nos adaptar às mudanças de cenário e aos acontecimentos de curto prazo.

Os impactos da crise

Nós nos preparamos para o pior da crise prevendo uma grande redução dos preços e da demanda para todos os nossos produtos. Também cortamos investimentos em infraestrutura e adiamos em 12 meses projetos que estavam em andamento, como a construção da nova planta industrial em Barro Alto, em Goiás. Mas, felizmente, o reflexo da retração sobre o mercado de níquel se estendeu por um período mais curto do que o esperado. Em relação à operação de nióbio, a Anglo American manteve o ritmo normal de produção devido às melhores condições desse mercado: o preço do metal se manteve estável durante a crise. O principal impacto da turbulência econômica ocorreu na área de fertilizantes, mas a tendência é de recuperação para 2010.

O mercado de níquel está crescendo – apesar de os estoques do mercado mundial terem chegado a 158 mil toneladas em 2009, enquanto a média histórica alcançou 18 mil toneladas entre 2001 e 2009 – e as previsões são positivas para 2010 e 2011. Existe uma estimativa de crescimento de 12% em 2010 para o setor de aço inox, principal usuário de ferroníquel. Por essa razão, o mercado dessa liga mineral deve avançar 7% no biênio 2010/2011. E os preços deverão manter-se na faixa de US$ 8 por libra-peso no período.

Todas as atuais operações da Anglo American no Brasil (Codemin, Mineração Catalão, Copebrás-Cubatão e Copebrás-Catalão/Ouvidor, que formavam a divisão Metais Básicos) foram mantidas em 2009. Entretanto, algumas adequações foram necessárias, como o adiamento, pelo período de um ano, do Projeto Barro Alto e dos estudos de pré-viabilidade dos projetos de Jacaré, em São Félix do Xingu, no Estado do Pará, e Morro Sem Boné, em Mato Grosso, conforme já havíamos previsto no Relatório à Sociedade de 2008.

Participação de todos minimizou os efeitos da crise

Diante do cenário de crise detectado no 2º semestre de 2008, já em janeiro de 2009 houve uma grande mobilização interna por parte de nossos próprios empregados para enfrentar o quadro de dificuldades. Por meio da criação de um Comitê de Redução de Gastos com empregados do escritório corporativo em São Paulo, foram recebidas 210 sugestões para a redução de custos. Certamente, podemos afirmar que o benefício maior desse período de desafios foi o envolvimento das pessoas.

Também houve um importante incremento nas ações do programa Otimização de Ativos (OA), iniciativa interna que visa gerar melhoria contínua para o aproveitamento de nossos recursos e para a redução de custos e de investimentos. Nesse sentido, a empresa superou as metas previstas para 2009. Conseguimos aumentar a produtividade utilizando os mesmos recursos. Ou seja: otimizamos processos e o uso de equipamentos obtendo melhores resultados para os investimentos já existentes. O momento de crise propiciou esse ganho para a empresa e para todas as equipes.

Valores da Anglo American: destaque para a segurança

Um acontecimento marcante de nossa organização em 2009 foi o lançamento de nossos valores: Segurança, Preocupação e Respeito, Integridade, Responsabilidade, Colaboração e Inovação. Apesar de todos esses conceitos serem igualmente fundamentais para a gestão do negócio, gostaríamos de ressaltar um deles: a Segurança. Significativo é o fato de não termos feito nenhum corte de investimentos nessa área. Todos os programas, treinamentos e compra de equipamentos para o setor de segurança foram mantidos no ano que passou.

Apesar de a questão da segurança estar sempre presente em nossas preocupações – pois sempre consideramos qualquer acidente inaceitável –, a inclusão do tema em nossos valores está relacionada à ambição da Anglo American em colocá-lo no mesmo patamar de importância que a busca pela excelência nos negócios. Não é por outro motivo que alcançamos recorde de dias sem acidentes com afastamento em algumas de nossas operações (a Codemin completou três anos em janeiro de 2010 sem nenhuma ocorrência desse tipo) e que o Projeto Barro Alto é referência mundial em termos de segurança.

Reestruturação e venda de ativos

Em 2009, devemos ressaltar o anúncio da intenção de venda da Copebrás (unidades de fosfatados de Catalão/Ouvidor e Cubatão) e da Mineração Catalão (unidade de nióbio de Ouvidor), que representou um importante passo no sentido de concentrar nossas operações em áreas de interesse estratégico para a empresa. Para nós, a decisão significou o direcionamento do foco dos negócios para a exploração de níquel – área na qual a companhia possui vantagens competitivas –, diretriz alinhada às estratégias determinadas pelo Grupo Anglo American. A nova estrutura da empresa será mais voltada às atividades operacionais – ou seja, para a produção –, e haverá uma redução dos escritórios corporativos. Essa é a maneira que encontramos de focar naquilo que é estratégico e sabemos fazer de melhor.

É importante destacar que, embora a Anglo American tenha anunciado a intenção de se desfazer dos ativos mencionados, a venda dependerá de fatores como o ambiente econômico nacional e mundial e as propostas recebidas. Até que as transações sejam concluídas, o compromisso da organização é continuar tratando todos os seus empregados de forma justa e igualitária, de acordo com o valor “Preocupação e Respeito”.

O foco da Anglo American hoje no mundo está na produção de níquel, cobre, platina, diamante, minério de ferro e carvão. A reestruturação de nossos negócios no Brasil – que incluiu também a redução da estrutura vertical do Grupo – dará mais agilidade à empresa, diminuindo o tempo de resposta na tomada de decisões.

Integração dos escritórios – fonte de preocupação

Um dos temas de maior impacto em 2009 foi a anunciada integração dos escritórios corporativos da Anglo American no Brasil, atualmente localizados em três cidades: Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para o negócio minério de ferro, e São Paulo, para os negócios de níquel, nióbio e fosfato. A proposta da unificação de todos os escritórios corporativos – com fortes indícios de que passariam a funcionar em Belo Horizonte – foi um fator de instabilidade para nossas equipes de São Paulo, pois a mudança prevista afetaria a vida deles e suas famílias. No entanto, a notícia de que a integração estava suspensa foi divulgada em dezembro. Hoje, apesar de continuarmos em escritórios diferentes, manteremos nossa busca contínua pela sinergia e pela colaboração, ambição tão bem representada pelo lema “Uma Só Anglo”.

Mantendo o foco no desenvolvimento sustentável

A redefinição de custos da empresa, como não poderia deixar de ser, acabou também por afetar os investimentos em projetos sociais e ambientais. Mas isso não significou que deixamos de cumprir nossos compromissos ou que paralisamos programas já existentes. Deixamos, em alguns casos, de iniciar novos programas ou de fazer aportes financeiros maiores como desejaríamos.

A parceria com a ONG Care Brasil – que faz parte da rede Care Internacional – manteve-se como um dos destaques em Barro Alto. O projeto tem como metas a formação de empresas, instituições e educadores locais, que ministrarão, entre outros, cursos de empreendedorismo e microfinanças.

Em 2009 foi realizado em Barro Alto o curso Gestão Empreendedora, para pequenos, médios e grandes comerciantes com atuação formal ou informal. O objetivo das aulas foi incentivar o interesse da comunidade em aprimorar seus conhecimentos para a identificação de novas oportunidades rumo ao desenvolvimento sustentável.

Em Niquelândia e Barro Alto ficamos muito satisfeitos ao constatar que as comunidades veem a Anglo American como uma empresa parceira em seu desenvolvimento. O último Fórum Comunitário “Intercâmbio”, realizado em novembro de 2009 em todas as localidades onde a Anglo American atua, também foi muito positivo, com a entrega dos Planos de Envolvimento (PECs) às respectivas comunidades.

Um destaque importante para a área ambiental da companhia no Brasil em 2009 foi sua entrada para a plataforma nacional Empresas pelo Clima (EPC), continuidade do Programa Brasileiro GHG Protocol, do qual a Anglo American é uma das empresas fundadoras. Fazer parte desse grupo de companhias renova e fortalece o compromisso da organização com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos por nossas atividades. A meta global da Anglo American é reduzir suas emissões de toneladas de CO2 em 10% entre 2005 e 2014 (o ano-base para a comparação é 2004).

Renovamos também nossos compromissos socioambientais por meio da presença em diversos tratados internacionais que visam promover o respeito aos recursos naturais, a biodiversidade e as melhores práticas na busca pelo desenvolvimento sustentável. A Anglo American tem o orgulho de ser signatária do Pacto Global, dos princípios de Sustentabilidade do Conselho Internacional de Metais e Mineração (ICMM), além de ser uma das empresas fundadoras do Programa Brasileiro do GHG Protocol.

Desafios para 2010

Encerramos 2009 com muitas lições aprendidas e a certeza sobre os rumos tomados. Além da necessidade de fazer a separação de ativos da maneira mais adequada para todos os futuros negócios, nosso principal desafio para 2010 será finalizar o projeto Barro Alto, que foi adiado devido à crise econômica mundial. A previsão é que a unidade inicie sua produção em 2011.

Barro Alto representa muito para a Anglo American, pois com sua incorporação a nossas operações saltaremos de uma produção global de níquel de 26 mil toneladas/ano (em 2009) para 66 mil toneladas/ano. O projeto alcançará capacidade total de produção em 2012.

Após a reestruturação no corpo diretivo e na carteira de negócios promovidos pela companhia, este ano assumimos também o desafio de aumentar a capacidade e ampliar os resultados da unidade de negócio de Níquel, que atualmente é composta pelas operações no Brasil, em Niquelândia e Barro Alto, e na Venezuela, Loma de Níquel.

Em 2010, vamos buscar também a consolidação de nossas unidades de negócio e a sinergia entre todos os escritórios e plantas na tentativa de ampliar os resultados da visão “Uma Só Anglo”.